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O Poder dos Quietos

Eu demorei alguns anos para descobrir que eu sou introvertida (e que isso não é ruim).

E quando eu falo que sou introvertida para os meus familiares e amigos, eles riem da minha cara e dizem que não sou introvertida.

Já no ambiente profissional, a minha introversão chegou a ser apontada com um ponto de melhoria por meus colegas em uma avaliação 360º. Aparentemente, não tagarelar durante uma reunião ou não fazer uma entrada triunfante em um evento (a la pavão, sabe?) não foi bem visto por eles.

Felizmente, eu sou muito bem resolvida quanto à minha introversão. Mas de qualquer maneira, eu adoraria entregar um exemplar do livro “O Poder dos Quietos”, da autora Susan Cain, para cada uma dessas pessoas – as que duvidas e as que acham isso um “defeito”.

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Nas palavras de Max Gehringer, “a proposta do livro é mostrar que a introversão não é uma doença, nem um pecado social, bem uma falha grave na formação. É uma característica inata que, para render bons frutos, tanto na vida pessoal quanto na carreira profissional, não precisa ser curada, remendada ou disfarçada”.

A autora faz uma crítica muito bem embasada ao que ela chama de Ideal de Extroversão – “a crença onipresente de que o ser ideal é gregário, alfa, e sente-se confortável sob a luz dos holofotes”.

Chamar “O Poder dos Quietos” apenas de livro é um erro. O livro está mais para uma “surra de autoconhecimento” para os introvertidos. Em muitos momentos da minha leitura, eu me enxergava ali, na história daquele personagem que ela estava narrando. Terminei a leitura deste livro ainda mais bem resolvido do que já era, se é que isto é possível.

Além de explicar com maestria as diferenças entre os extrovertidos e os introvertidos – o que os difere é a quantidade de estímulos que preferem receber (introvertidos precisam de menos estímulos) – a autora também navega pela história de personagens históricos e/ou famosos que são introvertidos e que conquistaram grandes feitos. Afinal, quem diria que se não fosse um introvertido, hoje não teríamos o Google? Ou as teorias da gravidade e da relatividade?

Ainda nas primeiras páginas do livro, a autora nos traz a visão de introversão pelo influente psicólogo Carlos Jung:

Introvertidos são atraídos pelo mundo interior do pensamentos e do sentimento. (…) Extrovertidos pela vida externa de pessoas e atividades. Introvertidos focam no significado que tiram dos eventos ao seu redor; extrovertidos mergulham nos próprios acontecimentos. Introvertidos recarregam suas baterias ficando sozinhas; extrovertidos precisam recarregar quando não socializam o suficiente.

A autora também relata que, apesar não haver uma definição geral para introversão pelos psicólogos contemporâneos, eles tendem a concordar em vários pontos importantes:

… por exemplo, que introvertidos e extrovertidos diferem quanto ao nível de estímulo externo que precisam para funcionar bem. Introvertidos sentem-se ‘bem’ com menos estímulo, como quando tomam uma taça de vinho com um amigo próximo, fazem palavras cruzadas ou leem um livro. Extrovertidos gostam da vibração extra de atividades como conhecer pessoas novas, esquiar em montanhas perigosas ou colocar música alta.

E assim a autora passa analisar e a desconstruir diversos mitos em relação a introversão e exaltar uma inúmera gama de vantagens e benefícios em ser introvertido.

Um ponto que me chamou bastante atenção no livro é como a autora demonstra como os mais diversos atores sociais – família, trabalho, mídia, escola, etc – querem obrigar as pessoas a incorporarem esse ideal de extroversão para suas vidas, como se isso fosse o certo, ou como se só os extrovertidos pudessem ter sucesso. E de quebra, ela entrega um capítulo inteiro só para explicar como esses atores, principalmente os pais, devem agir para lidar com os introvertidos.

Outro ponto que eu achei bem interessante foi o questionamento se nós, introvertidos, teríamos que viver para sempre com algumas limitações da introversão, como o medo de falar em público. Esse ponto me chamou atenção porque eu pessoalmente superei essa questão. E, portanto, não poderia achar a resposta da autora mais coerente: sim, podemos nos moldar e superar nossas dificuldades/medo, quando somos motivados por algo significativo. No meu caso, por exemplo, a vontade de compartilhar os meus conhecimentos e de motivar as pessoas, acabou sendo mais forte do que o meu medo! Já escrevi sobre isso aqui.

Enfim, não dá para esgotar aqui tudo que é tratado no livro. Mas eu acredito, verdadeiramente, que é uma leitura obrigatória não só para os introvertidos, mas também para os extrovertidos! E para finalizar, uma frase do livro que me chamou muita atenção!

Aos introvertidos é oferecida a chave para jardins privados cheios de riquezas. Possuir essa chave é cair como Alice no buraco do coelho. Ela não escolheu ir para o País das Maravilhas – mas transformou isso numa aventura que era nova, fantástica e pessoal. 

Ah, a autora também fez uma apresentação no TED sobre isso. Você pode assistir aqui.

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